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Dra. Fernanda Rodrigues – Reumatologista no Rio de Janeiro – RJ

A artrite reumatoide (AR) é uma doença inflamatória crônica de natureza autoimune — ou seja, o próprio sistema imunológico, que deveria nos defender de infecções, passa a atacar equivocadamente alguns tecidos do organismo, principalmente as articulações (juntas). O processo inflamatório resultante deste ataque causa dor, inchaço, rigidez e, ao longo do tempo, pode levar à destruição das estruturas articulares e a limitações funcionais significativas.

A AR é uma doença sistêmica: ela se manifesta predominantemente nas articulações, porém possui potencial para afetar diversos órgãos, podendo comprometer pulmões, coração, olhos e vasos sanguíneos. Por isso, seu tratamento é multidisciplinar e vai além do simples alívio da dor.

A boa notícia é que, com o diagnóstico precoce e o tratamento adequado, a maioria dos pacientes consegue controlar a doença, preservar a função articular e manter boa qualidade de vida.

  • No Brasil, estima-se que entre 1,3 e 2 milhões de pessoas vivam com a doença.
  • Sexo: é de 2 a 3 vezes mais frequente em mulheres do que em homens.
  • Idade de início: pode surgir em qualquer faixa etária, mas o pico de incidência ocorre entre os 30 e 50 anos.
Pessoa com artrite reumatoide
A artrite reumatoide é mais frequente em mulheres

Posso fazer algo para evitar a artrite reumatoide?

A AR resulta da interação entre predisposição genética e fatores ambientais.

  • Parentes de primeiro grau de pacientes com AR têm maior risco de desenvolvimento da doença.
  • Tabagismo: é o principal fator de risco ambiental modificável. Ou seja, fumar aumenta o risco de AR em indivíduos geneticamente predispostos. Por isso é tão importante cessar o tabagismo.

Quais são os sintomas da artrite reumatoide?

Sinais e sintomas articulares

O quadro articular é o mais característico da doença. Veja quais são as suas principais características:

  • Dor articular: dor, inchaço e limitação do movimento das juntas acometidas.
  • Rigidez matinal: sensação de “travamento” das articulações ao acordar, durando mais de 1 hora — é um sinal clássico e muito característico.
  • Na maioria dos casos, articulações simétricas são acometidas – ou seja, os sintomas afetam as mesmas articulações dos dois lados do corpo.
  • Edema (inchaço) e calor: as juntas ficam inchadas e podem estar quentes ao toque.

Quais são as articulações mais afetadas?

  • As articulações das mãos e pés são as mais acometidas.
  • Outras juntas que podem ser afetadas são os punhos, joelhos, tornozelos, cotovelos e ombros.
  • Pescoço (coluna cervical).

Sinais e sintomas extra-articulares

Por ser uma doença sistêmica, a AR pode afetar diversos órgão do corpo. Essas manifestações extra-articulares (fora das articulações) são mais frequentes em pacientes com doença grave e fator reumatoide positivo no exame de sangue.

Veja alguns exemplos:

  • Nódulos reumatoides: caroços firmes sob a pele, geralmente próximos aos cotovelos e calcanhar.
  • Pulmões: pleurite (inflamação da pleura, capa que envolve os pulmões, provocando dor ao inspirar profundamente), nódulos pulmonares e doença pulmonar intersticial são as manifestações mais comuns.
  • Coração: derrame pericárdico pode ocorrer em metade dos pacientes, sem causar sintomas. Trata-se do acúmulo de líquido entre o coração e o pericárdio, “saco” que envolve o coração.
  • Olhos: síndrome de Sjögren (olhos e boca secos), episclerite (inflamação de curso geralmente benigno) e esclerite (manifesta por dor ocular intensa e olho vermelho – exige abordagem mais imediata).
  • Síndrome de Felty: associação de AR com aumento do baço e baixa contagem de neutrófilos.
  • Vasculite reumatoide: inflamação dos vasos sanguíneos, manifestação incomum.
Dra. Fernanda Rodrigues reumatologista
Dra. Fernanda Rodrigues, especialista em reumatologia pela Sociedade Brasileira de Reumatologia

Quando não tratada adequadamente, a artrite reumatoide pode causar danos progressivos e deformidades nas articulações — levando à dificuldade de realizar atividades do dia a dia, como abrir uma torneira, segurar um copo ou caminhar.

Com diagnóstico precoce e tratamento adequado, podemos preservar movimentos e melhorar a qualidade de vida do paciente com artrite reumatoide. Diante de dor, inchaço e rigidez nas articulações — especialmente pela manhã — busque avaliação médica especializada para investigação adequada. Agir cedo faz toda diferença.

Como é feito o diagnóstico?

Não existe um único exame que confirme o diagnóstico de AR — ele é feito com base na combinação de dados clínicos (sintomas), laboratoriais e de imagem. O reumatologista é o especialista indicado para essa avaliação.

Veja alguns fatores que, quando presentes em conjunto, sugerem este diagnóstico:

  • Presença de artrite (articulação dolorosa e inchada) que não seja explicada por outra doença.
  • Fator reumatoide e/ou anti-CCP positivo no exame de sangue.
  • Provas inflamatórias elevadas no exame de sangue (VHS e proteína C reativa).
  • Duração dos sintomas maior ou igual a 6 semanas.

Exames complementares

A radiografia de mãos e pés é útil para o diagnóstico e avaliação da progressão da doença. A ultrassonografia tem importante papel, pois pode contribuir tanto para o diagnóstico da artrite reumatoide quanto para avaliarmos se ela está ativa.

Tratamento não medicamentoso

O tratamento não farmacológico é parte integrante e insubstituível do cuidado em AR. Ele complementa os medicamentos e tem impacto real sobre dor, função e qualidade de vida.

  • Fisioterapia: exercícios de fortalecimento muscular, mobilidade articular e controle da dor contribuem para preservar a funcionalidade do paciente.
  • Terapia ocupacional: adaptações para as atividades de vida diária, órteses (talas) para proteger articulações e reduzir dor.
  • Exercício físico regular ajuda a reduzir a inflamação e mantém a autonomia.
  • Cessação do tabagismo: além de ser fator de risco para a doença, o cigarro reduz a eficácia de alguns tratamentos e aumenta o risco cardiovascular.
  • Controle do peso: o tratamento da obesidade diminui a carga sobre as articulações e o estado inflamatório sistêmico.
  • Apoio psicológico: o tratamento da ansiedade e depressão melhora a qualidade de vida e tem impacto na capacidade funcional.
Exercício físico é parte do tratamento da artrite reumatoide
A atividade física é importante aliada no tratamento

Tratamento medicamentoso

O tratamento farmacológico da AR evoluiu enormemente nas últimas décadas. O objetivo não é apenas aliviar os sintomas, mas atingir a remissão (ausência de atividade da doença) ou, ao menos, baixa atividade. A estratégia seguida é o “tratar para atingir a meta” (treat-to-target).

Medicamentos para alívio de sintomas

  • Usados para alívio rápido da inflamação ou como “ponte” enquanto as medicações específicas para controle da doença fazem efeito. Seu uso prolongado exige cautela pelos possíveis efeitos colaterais.

Medicamentos modificadores do curso da doença

Eles não apenas aliviam os sintomas (dor, inchaço das juntas), como também modificam a evolução da doença, reduzindo inflamação, protegendo as articulações e prevenindo deformidades. Desta forma, melhoram a qualidade de vida a longo prazo.

São divididos em três grandes categorias: medicamentos convencionais, biológicos e sintéticos alvo-específicos. A escolha deve ser individualizada de acordo com a história clínica e avaliação médica de cada paciente, levando em conta as recomendações baseadas em evidências científicas.

A importância do acompanhamento médico regular

O monitoramento regular é parte essencial do tratamento da AR. O objetivo é verificar se o tratamento está atingindo a meta, identificar efeitos adversos dos medicamentos e detectar complicações precocemente.

Além disso, a abordagem adequada das comorbidades é fundamental para manutenção da sua qualidade de vida. Entenda a importância desta recomendação:

  • Risco cardiovascular: a AR aumenta o risco de eventos cardiovasculares. Controle de pressão, colesterol e glicemia é fundamental.
  • Prevenção e diagnóstico da osteoporose para prevenir fraturas ósseas.
  • Infecções: pacientes em uso de imunossupressores têm maior risco de infecções. Vacinação deve ser atualizada adequadamente conforme orientação médica.

É possível alcançar qualidade de vida

A artrite reumatoide é uma doença séria, mas tratável. Seu diagnóstico precoce e tratamento adequado são determinantes para preservar o bom funcionamento e prevenir deformidades das juntas.

O acompanhamento regular com o médico reumatologista e a adesão ao tratamento são fundamentais para melhorar a sua qualidade de vida e evitar a perda de autonomia.

Afinal, conviver com dor nas articulações todos os dias não é algo que se deva simplesmente aceitar. Cuidar disso hoje é proteger os seus movimentos para o futuro.

A dra. Fernanda Rodrigues, especialista em reumatologia pela Sociedade Brasileira de Reumatologia, oferece acompanhamento especializado e individualizado.

Para dar início ao seu acompanhamento, agende uma consulta — atendimento presencial no Rio de Janeiro ou online.

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