A osteoporose é uma doença caracterizada pela redução da massa óssea e pela deterioração da microarquitetura do tecido ósseo. Ela pode atingir todos os ossos do corpo, fazendo com que fiquem fracos e com possibilidade de quebrarem ao menor esforço.
Trata-se de um “osso poroso”, estruturalmente mais fraco e menos denso do que o normal.
O resultado direto dessas alterações é um aumento significativo da fragilidade dos ossos e, consequentemente, da susceptibilidade a fraturas — mesmo diante de pequenos traumas, como uma queda da própria altura ou um esforço físico banal. O pior desfecho da osteoporose é a ocorrência de fraturas.
A osteoporose não dói, não avisa e não dá sinais — até que uma fratura acontece. E quando acontece, muitos pacientes, especialmente idosos, podem perder a capacidade de caminhar de forma independente, deixar de realizar atividades simples do dia a dia e passar a depender de outras pessoas para tarefas que antes faziam sozinhos.
A boa notícia é que avaliar a saúde dos seus ossos antes que isso aconteça é simples e pode mudar o desfecho. Tratar a osteoporose para prevenir fraturas é preservar a sua independência, sua mobilidade e sua qualidade de vida.
Conheça a osteoporose e saiba o que você pode fazer para prevení-la.
A osteoporose é mais frequente do que você imagina
Trata-se de uma doença silenciosa que atinge, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 15 milhões no Brasil e, de acordo com a International Osteoporosis Foundation (IOF), mais de 500 milhões de pessoas em todo o mundo.
Uma em cada três mulheres acima dos 50 anos sofrerá ao menos uma fratura osteoporótica ao longo da vida. Para os homens, essa proporção é de aproximadamente um em cada cinco.
As fraturas mais temidas são as do quadril, da coluna vertebral (vértebras) e do punho, podendo causar dor, incapacidade física e deformidades, além de reduzirem a qualidade de vida.

Fatores de risco para osteoporose
Não modificáveis
- Menopausa
- Sexo feminino
- Idade > 60 anos
- Raça caucasiana
- História familiar de osteoporose/fratura óssea
Modificáveis
- Tabagismo
- Consumo excessivo de álcool
- Dieta pobre em cálcio
- Deficiência de vitamina D
- Sedentarismo
- Baixo peso corporal (IMC < 19 kg/m²)
Osteoporose secundária
A osteoporose pode ocorrer como consequência de determinadas doenças. Veja alguns exemplos:
- doenças reumatológicas como artrite reumatoide e espondilite anquilosante
- doenças gastrointestinais como doença celíaca e doença inflamatória intestinal
- doenças hematológicas como mieloma múltiplo, leucemias e linfomas
- doenças renais como a doença renal crônica
O uso prolongado de alguns medicamentos, como os corticoides, também pode levar à redução da massa óssea.
Fatores de risco para quedas
Para evitar fraturas, a prevenção de quedas é tão importante quanto o fortalecimento ósseo. Os principais fatores de risco para quedas incluem:
- Distúrbios da marcha
- Declínio cognitivo
- Deficiência visual ou auditiva
- Sedentarismo
- Uso de medicamentos sedativos ou hipnóticos
- Ambientes com iluminação inadequada
- Superfícies escorregadias
- Tapetes soltos ou com dobras
- Degraus altos ou estreitos
- Obstáculos no caminho
- Ausência de corrimão em corredores e banheiros
- Prateleiras excessivamente altas ou baixas
- Calçados inadequados
- Pisos com buracos ou irregularidades
- Órteses inapropriadas
Quais são os sintomas da osteoporose?
A osteoporose é frequentemente chamada de “doença silenciosa” — e com razão. Na grande maioria dos casos, ela não causa sintoma algum até que ocorra uma fratura, que pode se dar aos mínimos esforços. Ao acontecer uma fratura, o paciente pode apresentar dor e limitação dos movimentos.
Deste modo, a primeira manifestação clínica costuma ser justamente a fratura. As mais comuns são:
- Fraturas vertebrais: podem ocorrer sem trauma evidente, apenas com o esforço da vida cotidiana. Podem causar dor aguda nas costas, redução da estatura ao longo dos anos ou desenvolvimento de cifose (corcunda).
- Fratura do fêmur: tem maior potencial de gravidade e geralmente ocorre após queda da própria altura em idosos.
- Fratura do punho (rádio distal): frequente em quedas com apoio das mãos.
- Fratura do úmero.
Ao longo do tempo, com o aparecimento de uma ou mais vértebras com fraturas, começam a surgir deformidades, como o encurvamento da coluna (“corcunda”) e diminuição da altura.

Diagnóstico
O diagnóstico de osteoporose é estabelecido principalmente por meio da densitometria óssea, considerada o exame padrão-ouro para medição da densidade mineral óssea. O exame é simples, rápido, de baixa radiação e amplamente disponível.
Vale ressaltar que o diagnóstico de osteoporose também pode ser feito na presença de fratura por fragilidade (aquela que ocorre em traumas de baixa energia, que não quebrariam um osso saudável), independentemente do resultado da densitometria óssea.
Indicações de densitometria óssea
- Mulheres com 65 anos de idade ou mais
- Homens com 70 anos de idade ou mais
- Mulheres com menos de 65 anos que estejam na pós-menopausa
- Homens de 50 a 70 anos de idade que tenham fatores de risco
- Adultos com fratura prévia por fragilidade
- Adultos com doença que se associa à perda óssea
- Adultos em uso prolongado de medicações associadas à perda óssea, como os corticoides
- Monitorar a eficácia do tratamento
Tratamento não farmacológico
O objetivo do tratamento da osteoporose é reduzir a probabilidade de fraturas pelo fortalecimento do esqueleto e diminuição do risco de quedas.
Medidas gerais, como boa nutrição, atividade física regular e mudança de hábitos prejudiciais são recomendados a todos os pacientes.
O tratamento não farmacológico é a base de toda estratégia de manejo da osteoporose e deve ser adotado por todos os pacientes, independentemente do uso de medicamentos. Ele engloba mudanças no estilo de vida, otimização nutricional e prevenção de quedas.
Nutrição
- Cálcio: a ingestão diária recomendada é de 1.000 a 1.200 mg/dia para adultos acima de 50 anos. Fontes alimentares incluem leite, queijo, iogurte, sardinha, tofu e vegetais folhosos.
- Vitamina D: essencial para a absorção intestinal do cálcio. A exposição solar adequada é uma fonte importante (prefira antes das 10h ou após as 16h). A suplementação pode ser necessária, porém os valores ideais de vitamina D variam de acordo com a idade e o grupo de risco no qual o paciente se encontra.
- Proteínas: dieta adequada em proteínas apoia a manutenção da massa muscular, fundamental para a proteção contra quedas.
| ALIMENTO | PORÇÃO | CÁLCIO (mg) |
|---|---|---|
| Queijo parmesão | 100 g | 1184 mg |
| Queijo minas padrão | 100 g | 579 mg |
| Queijo prato | 100 g | 579 mg |
| Queijo muçarela | 100 g | 505 mg |
| Queijo minas frescal | 100 g | 289 mg |
| Leite em pó integral | 100 g | 912 mg |
| Leite em pó desnatado | 100 g | 1257 mg |
| Sardinha, conserva com espinha | 100 g | 382 mg |
| Tofu | 100 g | 350 mg |
| Iogurte natural integral | 100 g | 143 mg |
| Leite de vaca integral | 100 g | 123 mg |
| Couve, manteiga, crua | 100 g | 131 mg |
| Brócolis, cru | 100 g | 86 mg |
| Espinafre, cru | 100 g | 98 mg |
| Gergelim (semente) | 100 g | 825 mg |
Exercício físico
- Exercícios regulares com sustentação de peso e/ou treinamento de resistência progressiva são fundamentais para a saúde óssea.
- Os exercícios são benéficos não somente por seus efeitos diretos sobre a resistência óssea, mas também aumentam a força muscular, resultando em melhor condicionamento e equilíbrio.
Cessação de hábitos nocivos
- Parar de fumar
- Não consumir álcool em excesso
- Evitar imobilização prolongada
Prevenção de quedas
- Avaliação e adaptação do ambiente domiciliar (barras de apoio, iluminação adequada, remoção de tapetes)
- Revisão periódica dos medicamentos em uso
- Correção de déficits visuais
- Uso de calçados adequados e antiderrapantes
- Programas de reabilitação de equilíbrio e força muscular
Tratamento farmacológico
O tratamento disponível hoje é capaz de reduzir substancialmente o risco de fraturas. Ele está indicado para pacientes com diagnóstico de osteoporose pela densitometria, para aqueles com fratura por fragilidade e para pacientes com alto risco de fratura calculado. As classes de medicamentos disponíveis incluem agentes antirreabsortivos e anabólicos.
- Agentes antirreabsortivos — remédios que freiam a perda óssea, ou seja, impedem que o organismo “destrua” o osso mais rápido do que consegue repô-lo.
- Agentes anabólicos — remédios que estimulam a formação de osso novo, ajudando o esqueleto a se reconstruir e ficar mais forte.
A escolha do medicamento deve ser individualizada, levando em conta o perfil clínico, as comorbidades, a tolerância e as preferências do paciente. A parceria entre médico e paciente, com adesão ao tratamento e às mudanças do estilo de vida, é determinante para o sucesso do tratamento.
Cuidar dos ossos não é apenas uma questão de mobilidade — é uma questão de preservação da autonomia e longevidade.
Contar com o acompanhamento de uma especialista como a dra. Fernanda Rodrigues, reumatologista com mais de 10 anos de experiência, é fundamental para um diagnóstico preciso e tratamento adequado da osteoporose, com foco na prevenção de fraturas e preservação da sua qualidade de vida.
Não espere a primeira fratura para descobrir que seus ossos precisam de atenção. Consulte um especialista e faça sua avaliação.
Para um acompanhamento personalizado, agende sua consulta — atendimento presencial no Rio de Janeiro ou online.
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